Emma Corrin conversou com a W Magazine e compartilhou seus melhores segredos de beleza, filosofia de autocuidado, sua relação de longa data com os perfumes e sobre Miutine, a nova fragrância da Miu Miu. Confira:
Emma Corrin vem expressando, há anos, uma espécie de rebeldia silenciosa por meio de seu estilo. Ao usar a icônica lingerie verde-limão em camadas da Miu Miu no Festival de Veneza de 2023 — sem mencionar o vestido em formato de peixinho dourado dentro de um saco plástico, exibido no ano anterior. Agora, como mais embaixadore da envolvente fragrância Miutine, da Miu Miu, Corrin mantém esse mesmo espírito. No vídeo de campanha do perfume, filmado em Praga pela diretora vencedora do Prêmio do Júri em Sundance Hailey Benton Gates, Corrin aparece dançando em uma biblioteca, desfilando por um auditório, virando com irreverência uma mesa impecavelmente posta e, em geral, moldando o mundo ao seu bel-prazer.
“O que eu quis capturar acima de tudo nesta campanha foi o espírito irreverente da Miu Miu”, contou Gates à W sobre o clipe. Para a concepção, a diretora buscou referências que vão de Buster Keaton e Jim Carrey ao animador japonês Satoshi Kon, passando pela cineasta tcheca Věra Chytilová e até um vídeo da própria Sra. Prada batizando um barco de corrida italiano para uma campanha divertida. “Num só gesto, [Miuccia Prada] afasta um microfone da sua frente e quebra uma garrafa de champanhe contra o casco com força total”, diz Gates. “A garrafa explode espetacularmente em mil pedaços. A convicção dela, a clareza do gesto e a total ausência de hesitação são infinitamente inspiradoras.”
Miutine incorpora exatamente essa energia. O perfume pertence à família dos chipres, composto por uma mistura de raros morangos silvestres Mara des Bois, gardênia, baunilha, jasmim, açúcar mascavo, musgo de carvalho e patchouli. Notas cítricas vibrantes e um coração floral emergem de uma base intensamente terrosa, resultando em uma fragrância viciante e suculenta, apresentada em um frasco de vidro Matelassé — homenagem aos icônicos artigos de couro da Miu Miu, confeccionados com a mesma técnica artesanal minuciosa.
O morango francês Mara des Bois, em particular, confere um caráter raro ao perfume; coroada de “Rainha de Mara” pelo mestre perfumista e criador de Miutine, Dominique Ropion, essa variedade de morango só pode ser colhida uma vez por ano.
“Adoro como ele é complexo e sofisticado”, disse Corrin à W sobre Miutine. “Quando você o borrifa em si, ele muda e evolui com o tempo. Nunca tinha experimentado isso. Você passa o dia com ele, vive nele por algumas horas, e o cheiro fica completamente diferente, como se tivesse crescido junto com você.”
Para a atarefade Corrin — cuja atuação premiada como Princesa Diana em The Crown abriu caminho para uma sequência de papéis marcantes em filmes como O Amante de Lady Chatterley, My Policeman, Deadpool & Wolverine e Nosferatu — Miutine representa justamente aquele senso de não convencionalidade e liberdade que elu já transmite com seu estilo ousado. Em breve, Corrin dará vida a Elizabeth Bennet na nova adaptação de Orgulho & Preconceito, de Jane Austen, produzida pela Netflix — um papel que deverá elevar ainda mais sua aclamação no cenário internacional.
Qual é o papel da fragrância na sua vida?
Um papel enorme, enorme mesmo. Sou muito orientade por cheiros, mesmo que não sejam perfumes. Perfume é a primeira coisa que faço pela manhã.
Quando você começou a usar fragrâncias?
Provavelmente no ensino médio, quando as pessoas começam a se diferenciar pelo cheiro, e aí você passa a associar certos amigos a determinados aromas. Então você pensa, aos 12 anos: “Ok, acho que deveria encontrar o meu cheiro.” Mas, nesse estágio, todo mundo está apenas pegando a coisa mais barata que encontra na Boots.
Qual dica de beleza você aprendeu no set?
Eu uso maquiagem bem minimalista. Menos é mais. Cuidar da pele e prepará-la é fundamental — e sempre coloco isso em primeiro lugar. Comecei a ter problemas sérios de pele quando tinha 27 ou 28 anos. Fui a um dermatologista que me disse que passamos por uma segunda puberdade aos 28, e eu nunca soube disso. Ninguém fala a respeito, e de repente você passa por todas essas mudanças hormonais sem entender o que está acontecendo. Fiquei completamente em pânico. Não sabia o que era. Não é exatamente um conselho, mas só ter essa consciência já ajuda. Seu corpo muda um pouco — você tem que aceitar e atravessar essa fase.
Qual é a sua forma favorita de autocuidado?
Acho que skincare pode ser, de fato, um autocuidado. Mas, cada vez mais, meu autocuidado é encontrar tempo para ficar só, passear com meu cachorro e não estar rodeade de gente — não ter nada específico para fazer, necessariamente, mas apenas passar tempo comigo mesme.
Quem é o seu ícone de beleza?
Provavelmente a minha mãe. Ela é lindíssima, super natural, e nunca fez ou usou nada de especial. É simplesmente uma dessas pessoas que podem ser assim, e isso é incrível.
Quando você filma um drama de época como Nosferatu ou a nova série Orgulho e Preconceito, precisa ajustar sua rotina de pele ou de beleza?
Não, na verdade tento mantê-la exatamente a mesma. Já é muito exigir da pele ter que usar maquiagem todos os dias. Então, normalmente, procuro usar produtos que já conheço e que não vão irritar ou inflamar minha pele. E me certifico de usar sempre o mesmo sabonete, o mesmo hidratante, a mesma base.
Existe alguma tendência de beleza da qual você participou quando era mais jovem e que, olhando agora, pensa: “O que eu estava fazendo?”
Meu Deus, o cabelo. Com certeza o cabelo. Você se lembra quando as pessoas prendiam e empurravam o cabelo pra cima? Lembra disso? O que era aquilo? E também a franja de lado — era insana. Não sei como alguém achava que aquilo era remotamente atraente… ou conseguia ver alguma coisa! A gente não via nada! Andávamos por aí com as mãos estendidas [à frente] o tempo todo.