Emma Corrin e Nabhaan Rizwan falam sobre Anna X e redes sociais
Postagem por: thaine 16/07/2021 às 8:26

Ontem (15), Emma Corrin e Nabhaan Rizwan fizeram sua estreia no West End na peça Anna X. O dia também contou com um pequeno evento em que os atores e produtores celebraram no teatro londrino Harold Pinter.

A peça, que faz parte da temporada RE:EMERGE organizada pela Sonia Friedman Productions e é baseada na vida real de Anna Delvey, conta a história de Anna (Corrin) que se popularizou no cenário artístico de Nova York e acaba conhecendo Ariel (Rizwan). Ambos lutam para acompanhar a elite de Nova York.

Chris Harvey falou com a Emma e o Nabhaan sobre a peça que já está sendo apresentada no teatro Harold Pinter; a atriz também falou sobre os debates trans, The Crown, como foi trabalhar com Harry Styles e muito mais. Confira:

Três dias depois de conhecer Emma Corrin, que alcançou a fama — e fez milhões chorar, de novo — como a princesa Diana em The Crown, a talentosa jovem de 25 anos posta algumas fotos no Instagram onde todos falam sobre ela. São fotos artísticas em preto e branco da atriz usando um binder — que tem um efeito de achatar o contorno do corpo e é frequentemente associado a homens trans e pessoas que sentem que seu gênero não se encaixa no binário tradicional masculino/feminino. Corrin, que adicionou os pronomes ela/elu (ao invés de ela/dela) em seu perfil em junho, marca os fabricantes de tecidos trans gc2b e escreve: “É tudo uma jornada certo. Muitas voltas e reviravoltas e mudanças e tudo bem! Abrace isso.”

Quando nos encontramos no espaço de arte do leste de Londres, onde ela e Nabhaan Rizwan — o excelente Hari Dhar em Industry da BBC Two no ano passado — estavam ensaiando para o West End, Corrin acabou de terminar as filmagens do filme My Policeman. É ambientado na década de 1950, sobre um triângulo amoroso frustrado envolvendo um policial gay, interpretado pelo pop star Harry Styles, a mulher que se casa com ele (Corrin) e o homem que ele realmente ama.

Eu pergunto a ela se ela acha que vamos olhar para trás no debate sobre pessoas trans da mesma forma que olhamos para trás sobre a homossexualidade já ter sido ilegal nesse país. “Você quer dizer com incredulidade?” ela diz. “Espero que sim. Acho que temos muito trabalho a fazer, que deveria ser feito muito mais rapidamente. Mas acho que quanto mais as pessoas falarem sobre essas coisas, melhor. E acho que a representação na tela, na literatura e na arte é muito importante.”

Atuar com Styles não a deixava nervosa, ela me diz — “Eu o conheço já tem um tempo, então somos amigos”; mas apresentar com Rizwan traz pelo menos uma surpresa. É a estreia profissional de Corrin no palco, mas quando digo que ele fez teatro antes, ela se vira e olha para ele. “Em que você esteve?” ela diz em voz alta, claramente não tendo ideia de que esse era o caso. “Eu tinha uma fala numa peça de Almeida quando tinha uns 17 anos — costumava faltar à escola por causa disso”, confessa o jovem de 24 anos.

Eles estão sentados atrás de uma mesa, a uma distância aceitável para o distanciamento social, terminando as frases um do outro. Ele está discreto em uma camiseta preta, ela em uma camisa azul enorme. Durante a pandemia, Rizwan andou de um lado para o outro entre Chicago e Toronto, filmando Station Eleven — uma série dramática sobre uma mortal pandemia de gripe suína. Para ambos, porém, o foco agora está na peça Anna X de Joseph Charlton. “Mal posso esperar”, diz Corrin, que insiste que, ao contrário de alguns relatos, ela não vai voltar para gravar flashbacks para a quinta temporada de The Crown, em que Elizabeth Debicki assume como Diana. “Não, encerrei”, ela me diz, embora, ela acrescente, “acho que provavelmente sempre terei algum tipo de conexão com ela por causa da série. As pessoas adoram compartilhar histórias sobre ela comigo, o que é muito bom.”

A transição de desconhecida para estrela depois de interpretar Diana (pelo qual ela acabou de receber uma indicação ao Emmy) foi rápida para Corrin, ela admite. “As coisas ficaram um pouco malucas quando a série foi lançada.” Ela sentiu que precisava desenvolver “um pouco de visão de túnel” para manter o foco em seu trabalho. “Você faz seu trabalho, chega em casa e, em seguida, tenta abafar o resto. Eu acho que é uma atitude muito importante de se ter, especialmente se as coisas começam rapidamente e você é jovem. Porque o resto é assustador.”

Anna X tem dois papéis inspirada na história de Anna Sorokin, a filha do caminhoneiro russo que se passou por uma herdeira alemã fabulosamente rica para viver a vida no mundo artístico de Nova York, fraudando uma série de bancos, hotéis e pessoas ao longo do caminho. Rizwan interpreta Ariel, o desenvolvedor rico de um aplicativo de namoro exclusivo; e Corrin interpreta Sorokin.

Eu me pergunto se Corrin, que é uma espécie de guru da moda, pode entender o desejo de Anna de fazer parte desse mundo ultramoderno de Nova York. “Sim”, diz ela, com emoção, “mas ela leva isso para outro nível… ela podia ver através das pessoas e aprender informações sobre elas, que ela então usou para sua própria vantagem.”

Rizwan, ao que parece, também está seriamente no meio da moda. Além de ser ator e rapper lançando sob o nome de El Huxley, ele tem desenhado roupas e óculos de sol, e planeja lançar sua própria marca, “Eu trago meus desenhos para Emma, e ela aprova ou desaprova”, diz ele. “Tenho tentado colocá-la nisso.” Corrin aguça seus ouvidos. “Nós poderíamos fazer isso, sim, com certeza. Feito”, ela diz com entusiasmo. Espere uma coleção da marca Rizwan/Corrin em breve.

Eles chegaram à fama por diferentes caminhos. Rizwan cresceu em uma família criativa em Ilford, em Essex. Seu pai escreveu peças, sua mãe era atriz criança no Paquistão e seu irmão mais velho, Mawaan, começou como comediante no YouTube antes de se tornar ator e escritor em séries como Sex Education da Netflix. Corrin cresceu em Kent e foi para o mesmo colégio interno (Woldingham em Surrey) que Carey Mulligan e Lady Isabella Hervey. Nenhum dos dois foi à escola de teatro. Corrin foi rejeitada pela RADA e foi para Cambridge estudar Educação. Ambos são atores instintivos e talentosos. Isso vem naturalmente? “Eu diria que muitas pessoas não têm a oportunidade”, diz Rizwan. “Tenho certeza de que ambos conhecemos pessoas incrivelmente talentosas, que nunca tiveram uma chance.”

Anna também é atriz de certo modo, não é? “Sim, mas acho que todos somos, esses dias, com as redes sociais”, diz Corrin. “Todos nós estamos atuando o tempo todo.” Sua atitude é ignorá-la ou se envolver com ela da maneira mais autêntica possível. “Todo mundo tem essa necessidade insaciável de compartilhar coisas com todos. Acho que as pessoas querem ser vistas.”

“As pessoas costumavam ir a lugares e não tiravam fotos”, diz Rizwan. “Espero que possamos perceber isso em algum momento. As pessoas costumavam viajar, e só porque não está documentado em forma de imagem, não significa que não aconteceu.”

Ter uma presença online parece fazer parte do trabalho de um ator nos dias de hoje. “Eu estaria mentindo se dissesse que não parece um requisito”, diz Corrin. Eles conheceram influenciadores de redes sociais? Rizwan ri, “Eles não estão na vida real, cara. Você reconheceria um influenciador quando ele andasse pela rua? Tipo, sim, isso é influência.”

O mundo da atuação por dentro parece tão glamoroso quanto o mundo da arte/moda de Nova York do qual Anna quer fazer parte? “Não consigo expressar o quão pouco glamoroso é”, diz Corrin. “Há momentos em que você está em um evento e fica tipo, ‘oh, isso é tão brilhante’, mas no dia a dia — não. Eu moro com amigas de apartamento com quem morei por cinco anos, que têm empregos das 9h às 17h. Todas nós vamos trabalhar, voltamos para casa, cozinhamos o jantar e não há enrolação.”

“Você ainda está tentando resolver problemas de pele estranhas”, ela ri, “e tentando agendar consultas médicas ou pensando, ‘oh mer–, esqueci de comprar manteiga.'”

É difícil não notar as semelhanças entre a vida que ela descreve e a de Diana, antes que ela tivesse que desistir de suas amigas de apartamento em Earls Court e se mudar para o Palácio de Buckingham — que, de acordo com a biografia real de Andrew Morton, a princesa descreveu como “juvenil, inocente, descomplicado e acima de tudo divertido.”

Do lado de fora das salas de ensaio, encontro Charlton, que escalou Corrin e Rizwan antes do lançamento de Industry ou The Crown, e fica encantado pelos dois ainda quererem fazer a peça. Ele está carregando um skate surrado e um laptop, prestes a reescrever. Ele é fascinado pelo mundo da arte, ele me diz, já que sua mãe, em uma [Universidade] Goldsmiths contemporânea de Damien Hirst e os YBAs, o levou para ver o tubarão de Hirst quando ele tinha quatro anos. “Acho que o que é interessante sobre a nossa geração — a que veio depois — como eles ficaram convencidos que o conceito era mais importante do que tempo e habilidade. Gosto da ideia de que o mundo inteiro foi infectado pelo o que esse movimento significava.”

O diretor Daniel Raggett se junta a nós. Ambos estão cientes, diz ele, de que “as pessoas assistem TV há um ano e meio” e “o teatro está tendo que lutar por seu lugar após o coronavírus.” Eles estiveram trabalhando em uma produção de ritmo acelerado e influenciada pela TV que “duplica a ideia de que sentar em uma sala com outras pessoas e assistir algo ao vivo pode rivalizar com o fato de que £ 11,99 dá a você 2.000 filmes.”

Eles certamente têm o arsenal para fazer isso.

Fonte: The Telegraph
Tradução e adaptação: Emma Corrin Brasil

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