Para a campanha de uma das premiações mais prestigiadas no mundo do entretenimento, Emma Corrin Josh O’Connor estampam a capa da Deadline com foco no Emmy. Os indicados a premiação serão revelados no dia 13 de julho e, de acordo com alguns veículos especializados, as estrelas da quarta temporada de The Crown têm grandes chances de serem indicados. Portanto, Corrin O’Connor falaram sobre a série, seus respectivos personagens, sobre lidar com trabalho e vida pessoal.

Confira abaixo o ensaio fotográfico e a entrevista que Emma concedeu individualmente, que também falou sobre como foi trabalhar com o diretor de My Policeman, Michael Grandage:

DEADLINE AWARDS BY VIOLETA SOFIA

DEADLINE (EMMY PREVIEW/DRAMA)

Nó de Windsor: como Emma Corrin e Josh O’Connor navegaram nas águas traiçoeiras do casamento de Charles e Diana em The Crown

A quarta temporada de The Crown detalhou o primeiro encontro entre o príncipe Charles e a jovem Diana Spencer, interpretados por Josh O’Connor e Emma Corrin, respectivamente, cujo casamento malfadado se tornou um dos assuntos mais escolhidos para o tablóide do século 20.

Olhando para trás, Emma Corrin tem uma ideia sobre por que ela falhou em seu teste para ingressar a escola de teatro. Ela tinha sido convidada para uma audição na RADA – uma das academias de teatro mais prestigiadas do mundo – e estava ansiosa para impressionar. Então, ela escolheu o monólogo Peter and Alice de John Logan, que havia sido encenado por Michael Grandage em 2013 com Judi Dench e Ben Whishaw. A peça conta a história de Alice Liddell, a jovem que inspirou Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, se encontrando com Peter Llewelyn Davies, a inspiração para Peter Pan de JM Barrie. Mas havia um problema, que dá para adivinhar pelo elenco de Dench… Na peça, Alice está na faixa dos 80 anos. “Na minha cabeça, eu estava tipo, ‘É atuação, eu quero ultrapassar os limites'”, Corrin ri lembrando. “Eu sou uma idiota e não tinha como eles não odiarem isso.”

Nem mesmo foi a sua primeira escolha. “Na verdade, eu queria fazer a parte de Ben Whishaw, mas acho que eu não poderia fazer o papel de um menino”, ela suspira. “Espero que isso esteja mudando. Tenho certeza de que faria isso agora se estivesse fazendo de novo.”

Enquanto ela se senta para refletir sobre o ano em que sua atuação como a jovem Diana Spencer em The Crown a jogou para a lista dos melhores – durante uma pausa nas filmagens do novo filme de ninguém menos que Grandage – ela ri da lembrança. “Eu estava sinceramente convencida de que entraria”, diz ela. “Eu não acho que tenha sido algo de ego ou arrogância. Foi pura ingenuidade. Eu vim direto da escola, onde adorava fazer teatro, e tinha um relacionamento maravilhoso com o departamento de teatro de lá. Eles realmente me orientaram. É aquela coisa em que você era um grande peixe em um pequeno lago e então…”

A capacitação formal de atuação é um conceito flexível nos Estados Unidos, mas em seu país, o Reino Unido, a escola de teatro é um passo lógico para qualquer aspirante a ator, então a rejeição a abalou. “E na minha ingenuidade, foi uma grande lição”, ela diz. “Na época, eu li uma entrevista com Andrew Scott, e uma das coisas que ele disse que me marcou muito foi que não existe uma maneira única de fazer isso. Literalmente, era tudo o que eu precisava ouvir. Quando você é um ator que está começando, você não tem controle. Tudo o que você pode fazer é se preparar o melhor que puder para as audições e chegar na hora certa.”

De fato, Scott abandonou a sua própria tutela dramática em Dublin depois de seis meses para ingressar em uma companhia de teatro e aprender no trabalho. Vanessa Kirby, que estrelou em temporadas anteriores de The Crown, é uma recém-indicada ao Oscar este ano, apesar de ter falhado em um teste para a Bristol Old Vic Theatre School. Sua colega indicada, Carey Mulligan, foi rejeitada pelas três escolas de teatro para as quais ela se candidatou. A determinação ousada que inspirou Corrin a escolher um monólogo para uma pessoa de 80 anos – a mesma confiança que lhe disse que ela havia superado sua audição – é o combustível que mantém qualquer ator vivo em uma indústria baseada na rejeição.

Corrin foi para a universidade em vez disso, e quando ela se mudou para Londres depois, morou com amigos e trabalhou em diferentes empregos para sobreviver enquanto fazia testes e mais testes para papéis que nunca conseguiu: “Cada rejeição, cada telefonema da minha agente para dizer: ‘Não deu certo’, eu sentia as camadas da minha pele crescendo. ‘Tudo bem, vamos em frente’. Você tem que superar o medo da rejeição e seguir em frente, porque é intenso.”

E foi assim que ela se viu do lado errado da mesa em um teste para The Crown. A série estava escalando o papel de Camilla Parker Bowles – que eventualmente iria para Emerald Fennell, que também não frequentou a escola de teatro – e os diretores de elenco precisavam de uma atriz para contracenar no papel de Diana Spencer. “Foi um teste completo sem pressão”, lembra Corrin. “Eu estava lá fazendo o papel de Diana, o que obviamente achei na época que seria incrível de fazer, e foi um sonho completo. Não obstante, eu estava entrando em uma sala com pessoas incríveis e criativas e pensei: ‘Essa é a minha chance de mostrar a eles o que posso fazer.'”

Desde o início, ela se preparou como faria para qualquer audição. Diana: In Her Own Words, um documentário lançado postumamente no qual a princesa narra a história de sua vida, foi a chave para desbloquear a compreensão de uma mulher que morreu pouco depois do nascimento de Corrin. “Não tenho nenhuma lembrança viva de Diana, mas tive uma coisa estranha em que minha mãe costumava ser incrivelmente parecida com ela e muitas vezes era confundida com ela em público”, diz ela. “Minha mãe é a pessoa mais empática, aberta e doce que conheço, e ela é como minha melhor amiga. E por causa de seu amor por Diana, e talvez por causa da semelhança, acho que assimilei as duas em minha mente. Para ser sincera, senti que estava interpretando minha mãe de certa maneira.”

Essa mesma empatia apareceu no documentário, que também deu a Corrin as ferramentas de que ela precisava para encontrar a voz de Diana. E ela se apaixonou pela mulher que encontrou. “Acho que Diana abriu algo para negociação na família real”, diz ela. “E eles ainda estão negociando hoje. Mas ela tornou a família real tangível de uma forma que eles não eram antes. Ela era humana por completo, e foi isso que eu vim a entender sobre ela, e acho que isso está certamente na versão que Peter [Morgan] escreveu.”

Faz sentido que os produtores da série procurem fazer um teste de suas possíveis Camillas com Diana. Afinal, uma das cenas de destaque da série nessa temporada é um confronto na hora do almoço entre Diana e Camilla, que é uma aula magistral para Fennell e Corrin; diálogo agradável, até amigável, disfarçando uma amarga luta pelo poder entre as linhas que a jovem Diana não tem certeza se pode vencer.

“É uma aula de escrita,” Corrin corrige. “É um presente completo para um ator ser capaz de dar vida a esse tipo de escrita, porque há tanta coisa acontecendo entre cada linha. É o tipo de nuance que realmente representa um desafio, mas também é tão bom mergulhar nisso. Você tem quase uma compreensão completa do que cada um deles está pensando, embora não seja completamente o que eles estão dizendo. Ambas estão lá avaliando uma a outra.”

Enquanto o processo continuava – e seria um ano antes que ela finalmente conseguisse o papel – Corrin teve a sensação de que ela teve sucesso em transformar o trabalho de contracenar com outros atores em sua própria audição para Diana. E quando ela finalmente foi escalada, ela fez a cena novamente com Fennell, desta vez com Josh O’Connor presente à mesa. “O diretor, Benjamin Caron, disse: ‘Ok, quem quer que sinta que tem o poder no momento, pode segurar a mão de Josh'”, diz Corrin. “E era apenas Emerald segurando sua mão o tempo todo, e eu tentando entrar lá. Mas foi interessante, com o desenrolar da cena, que consegui entrar lá quando Diana começou a rebater. Foi um ótimo exercício e acho que realmente nos ajudou naquele dia reconhecer o elefante na sala sem reconhecê-lo diretamente.”

Corrin já era fã de The Crown quando ela entrou na sala de audições. Embora ela afirme nenhuma afinidade particular com a família real, nem muito interesse nos documentários de história que sua própria família devorou, foi a mesma humanidade que Morgan trouxe aos membros mais protegidos da “Firma”, como é conhecida, que tornou o drama tão atraente para ela. “Fiquei intrigada com os personagens, as emoções e a forma como navegaram nesse espaço tão particular”, diz ela. A rigidez afetada e apropriada da família real nunca a interessou anteriormente. E, no entanto, a noção de que por trás de cada um deles estavam esses seres humanos imperfeitos em busca de seu próprio lugar no mundo os tornava de alguma forma mais acessíveis.

Isso foi especialmente evidente para Corrin com o sexto episódio da série nessa temporada, “Terra Nullius”, no qual o relacionamento turbulento de Charles e Diana é testado por uma turnê pela Austrália. “Há um momento em que você percebe, ‘Oh Deus, isso é apenas um casamento com dificuldades e pessoas cuidando disso'”, diz Corrin. “As emoções que eles estão sentindo – ou mesmo os detalhes específicos de suas conversas – são as emoções que sentimos nos relacionamentos o tempo todo. Isso é algo que Josh e eu realmente nos apegamos; esse é um casamento desmoronando, e essas são duas pessoas tentando fazer essa coisa afundar ou nadar.”

Manter isso em mente ajudou em todos os aspectos. Corrin se descreve como uma atriz de dentro para fora. Não era tanto sobre o cabelo, as roupas, o traje. Em vez disso, era sobre o que Diana estava pensando e sentindo com cada cena em particular. “Trabalhei com a Polly Bennett, que é uma técnica fantástica de movimento e atuação, e desconstruímos um pouco. Passamos por cada cena e descobrimos, ‘o que ela fez antes disso? O que ela está pensando aqui? O que ela comeu no café da manhã?’ O tipo de coisa estranha que você faz como ator. Mas também, ‘o que ela quer dessa cena? O que ela pensa que quer? O que ela precisa?'”

Corrin diz que o maior elogio que ela recebeu por esta abordagem veio quando um jornalista reagiu a uma cena no episódio seis em que Charles e Diana parecem encontrar uma solução para seu conflito conjugal – pelo menos temporariamente. “Por um minuto, pensei que eles poderiam resolver isso”, disse o jornalista a ela. O peso da história dessas figuras públicas havia sido momentaneamente aliviado; até esquecido.

Ajudou o fato de ela ter um parceiro de cena simpático como O’Connor. “Eu li com ele algumas vezes em testes e temos um amigo em comum, então nos conhecíamos um pouco”, diz ela. “Nós nos demos muito bem rapidamente. Estávamos naturalmente à vontade e confiamos um no outro, e ele é uma pessoa maravilhosa para se atuar porque é um ouvinte ativo e solícito.”

O que o distingue, diz ela, é a ênfase em se permitir um mundo fora da atuação. Ela se lembra dele dizendo que achava que o trabalho poderia ser abrangente se ele deixasse. “Ele quase desistiu de atuar para se tornar um artista, e acho que muitos de nós passamos anos tentando chegar aqui que, quando conseguimos, é tipo, ‘Ótimo, é isso’. Quase como se resignar a um convento. Ele me ensinou, vá para a Cornualha e aprenda cerâmica, ou vá para a Escócia e vá pescar e fazer caminhadas. Isso ajuda você; isso te alimenta.”

Os hobbies de Corrin são um pouco mais locais; ela é uma leitora voraz e vem desenvolvendo sua paixão pela escrita, trabalhando em um roteiro com uma amiga. Durante o lockdown, ela fez uma nova amiga por correspondência. “Ela se chama Trish e mora em uma bela fazenda”, diz Corrin. “Ela teve a vida mais incrível e tem histórias maravilhosas; eu fui ficar com ela um pouco quando o lockdown acabou. Ela faz impressões com linóleo e eu passei uma semana aprendendo a fazer linogravura e impressão. Adoro estar aberta a coisas assim. Criando.”

Por enquanto, porém, Corrin está enfrentando as muitas ofertas que surgiram após o lançamento de The Crown, e experimentando um pouco do interesse dos tablóides que uma vez perseguiram a princesa. Conforme o mundo começa a se abrir, ela fica feliz por estar de volta ao set, em My Policeman, de Grandage, e se deleita com a sensibilidade teatral que ele trouxe para a produção. “Tivemos duas semanas de ensaio para esse filme”, ela se maravilha. “Por que nem todo mundo faz isso?”

Isso a trouxe de volta aos seus primeiros dias. “Minhas raízes estão no teatro. E Michael tem uma maneira incrível de guiá-lo na direção certa, mas fazendo você se sentir envolvido ao longo do caminho. Ele está genuinamente interessado e curioso sobre sua opinião e como você acha que deveria funcionar.”

Trabalhar com Grandage tem sido uma experiência de aprendizado, do tipo que ela busca ativamente em todos os empregos. Mas é menos sobre aprender as habilidades de ser um ator de sucesso, diz ela, e mais sobre a vida. “Muitas pessoas me perguntarão: ‘O que você aprendeu com Olivia [Colman] e Helena [Bonham Carter] em The Crown?’ E, obviamente, você se sente como uma esponja nessas situações e isso se infiltra inconscientemente. Mas a principal coisa que você aprende por meio de outras pessoas é como elas se movem pelo mundo e como suas experiências as moldaram. Suas histórias são incríveis e muito diferentes. É disso que se trata, para mim.”

Fonte: Deadline
Tradução e adaptação: Emma Corrin Brasil

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