No último dia 12, foi divulgada uma nova entrevista de Emma Corrin para o site da CBC canadense. Desta vez, a atriz falou sobre o medo de deixar de ser uma atriz desconhecida na medida que aproxima a estreia da quarta temporada de The Crown, e como não poderia faltar, ela comentou sobre a Diana e os desafios de interpretar a princesa no drama da Netflix que chega em 15 de novembro na plataforma de streaming. Confira a tradução na íntegra:

Tornando-se Diana: Emma Corrin fala sobre interpretar a Princesa de Gales na quarta temporada de The Crown

A jovem atriz fala da fama que vem ao se juntar ao drama da Netflix

Há, talvez, uma ironia na experiência de assumir o papel de Diana, Princesa de Gales, por sua chegada muito esperada na série da Netflix, The Crown.

Assumir a identidade na tela de uma das celebridades mais icônicas e fotografadas do século passado colocou Emma Corrin no centro de seu próprio — embora menor — turbilhão de mídia.

A ironia carrega emoções confusas para Corrin, a atriz britânica de 24 anos que interpreta a Diana na quarta temporada da série, que estreia em 15 de novembro.

“É cada vez mais estranho à medida que se aproxima. Estou com muito medo em perder o meu anonimato”, disse Corrin em uma entrevista de Londres. “Acho que não dei valor até agora e talvez pensei na fama e em estar aos olhos do público como algo divertido e bobo que acompanha esse trabalho incrível que tenho muita sorte de ter.”

A experiência oferece paralelos, em uma escala muito menor, com a vida que Diana viveu no centro de um turbilhão cada vez maior que se seguiu ao seu noivado e, por fim, ao casamento malfadado com o Príncipe Charles, filho mais velho da Rainha Elizabeth e herdeiro do trono.

Gradualmente, Corrin disse, ela está “triste, suponho, pelo fato de que agora sou fotografada quando saio de casa. É uma renúncia muito estranha à liberdade de uma forma muito bizarra e tenho uma grande simpatia [por Diana].”

Por três temporadas, o criador de The CrownPeter Morgan, tem dado ao público sua versão do reinado da Rainha Elizabeth, oferecendo uma representação de personagens e eventos reais que estiveram na frente e no centro — ou ocasionalmente bem escondidos — na história recente da Casa de Windsor.

Entre outras coisas, a quarta temporada leva o drama para a era da chegada de Diana à família real. É uma jornada da alegria dos olhos grandes e inocência de uma jovem que se apaixonou e se casou com seu príncipe em 1981 até os dias mais sombrios enquanto ela lutava contra a bulimia, o relacionamento contínuo dele com Camilla Parker Bowles e o colapso do casamento faturado no dia que se casaram “a matéria de que são feitos os contos de fadas”.

Corrin estava “super animada e honrada” em conseguir o papel, disse ela em um tweet na época.

Isso foi “em parte por causa da série e como eu fui uma fã por tanto tempo.”

‘Muito original e muito emocionante’

Em sua mente, The Crown estava “fazendo algo muito original e muito emocionante”, ela disse.

“Acho que Peter Morgan é um gênio e sua escrita é incrivelmente intuitiva na condição humana e nas complexidades dela. E, obviamente, sou uma grande fã de Diana e sempre me senti muito protetora com ela e sempre senti que ela merecia ter sua história contada.”

Ainda assim, é um papel que traz desafios significativos.

“Um dos maiores desafios para uma atriz assumir o papel de Diana, Princesa de Gales, é que o colapso de seu casamento e sua morte inesperada são tão conhecidos que seria tentador retratá-la como uma figura trágica ao longo de sua vida, prenunciando os eventos que virão”, disse Carolyn Harris, uma autora e historiadora.

“Uma atriz interpretar Diana precisa capturar os sentimentos dela em várias idades, tanto os momentos alegres quanto os tristes.”

O roteiro deu a Corrin essa oportunidade.

“Pessoalmente, eu adorei interpretar um arco tão grande”, disse ela, pensando em como o papel a levou de uma jovem e despreocupada “antes de qualquer coisa acontecer, correndo por Londres com seus amigos” até quando ela for mais velha e a vida não for tão simples ou alegre.

Tantas impressões

Diana, que morreu em um acidente de carro em Paris em 1997, era tão celebridade quanto parte da família real. No início, ela era a Tímida Di. Com o tempo, suas lutas pessoais e a franqueza que ela teve com todos que ela conheceu deixaram uma conexão emocional e uma impressão com muitos assistindo de longe.

Para Corrin, assumir o papel foi “incrivelmente” assustador.

“Você pode ficar realmente atolado nas impressões das pessoas sobre ela”, disse Corrin.

“Além disso, quando comecei a pesquisar sobre ela, todas as biografias por aí, todos os documentários são apenas as opiniões de outras pessoas sobre ela e um monte de fatos e muita especulação e isso realmente não é uma grande ajuda para além de ‘pobre Diana, estar sujeita a toda essa publicidade.'”

Mas quando Corrin recebeu o roteiro, ela disse, isso tirou qualquer estresse porque ela foi lembrada “que esta é uma história fictícia que estamos contando e estas são as palavras de Peter Morgan, esta é a versão dele e esta é a minha interpretação dela, o que ajudou muito.”

É, porém, ficção com base em fatos. E um dos fatos que aparece ao longo da quarta temporada é a vivência de Diana com bulimia. É uma interpretação vívida do transtorno alimentar de que Diana falou abertamente.

“Achei isso incrível e muito à frente de seu tempo”, disse Corrin. “Tenho certeza de que teve um efeito enorme para qualquer pessoa que passou por isso ou estava passando. Então, eu realmente queria fazer justiça e mostrar isso totalmente.”

‘Muito importante para a sua experiência’

Corrin disse que não queria “fugir disso ou apenas fazer alusão a isso” porque era “muito importante para sua experiência e pelo que ela estava passando”.

O enredo é baseado nos próprios comentários de Diana, incluindo aqueles que ela fez em sua entrevista para o programa Panorama da BBC em 1995. Os produtores de The Crown trabalharam com uma instituição de caridade no Reino Unido para transtornos alimentares e os episódios retratando sua bulimia têm um aviso de gatilho e oferecem um link para recursos para quem tem transtorno alimentar.

Por mais que a série ofereça uma interpretação de momentos mais sombrios da vida de Diana, há momentos mais leves e felizes também.

Alguns refletem uma das descobertas inesperadas que Corrin fez em sua pesquisa.

“Fiquei surpreso em saber como ela adorava usar a dança como forma de se expressar e essa era sua linguagem de amor.”

Em um episódio, “ela continua se apresentando para Charles como uma forma de tentar transmitir tão desesperadamente que o ama”, disse Corrin. “É a coisa mais triste do mundo, porque é a expressão mais genuína de amor para ela, e para ele, simplesmente não poderia estar mais distante.”

Ajudando no início

O caminho de Corrin para o papel foi longo e teve um começo inesperado.

“Foi um processo meio longo, na verdade”, disse ela. “Me pediram para entrar e ajudar as meninas que estavam fazendo testes para Camilla, interpretar ao lado delas como Diana.”

Corrin foi, no entanto, gravada, e ela se lembra dos produtores e diretores que estavam na sala no momento.

“Eu me lembro de ligar para minha agente depois e dizer: ‘Oh Deus, acho que eles gostaram de mim.’ E ela disse, ‘Emma, não seja ridícula. Eles ainda nem começaram a gravar a terceira temporada. Eles não estão pensando em Diana ainda.'”

Mas talvez eles estivessem.

Seis meses depois, Corrin e sua agente receberam uma ligação pedindo que ela fizesse um teste para o papel de Diana. E ela conseguiu — depois do que ela descreve como um período muito estressante de espera e “sem notícias”.

As pessoas especulam muito sobre o que aconteceu naquele casamento, ela disse, e “Eu acho que o que The Crown faz de forma surpreendente é levar você para trás daquelas portas fechadas” e para a “emoção humana e experiência humana” em jogo.

“Esperançosamente as pessoas podem se relacionar, as pessoas podem ter empatia e podem ensinar coisas às pessoas.”

Fonte: CBC Canada
Tradução e adaptação: Emma Corrin Brasil